sábado, 6 de junho de 2009

Odiar é fácil...


...comer puré é bem mais complicado;
...levantar cedo num dia frio de inverno é bem mais complicado;
...tomar medicamentos de capsulas gigantes é bem mais complicado;
...não ter mais episódios novos de OTH para ver é bem mais complicado;
...ter de estudar coisas com as quais não concordamos nem um bocadinho é bem mais complicado;
...ter de dizer "não" quando se quer dizer "sim" é bem mais complicado;
...ter de ouvir um "não" quando se quer ouvir um "sim" é bem mais complicado;
...ter de estar numa sala de espera é bem mais complicado;
...ver filmes na primeira fila da sala de cinema é bem mais complicado;
...comer massa aquecida no micro-ondas é bem mais complicado;
...partir uma unha enquanto se está a jogar bowling é bem mais complicado;
...ter de gramar a musiquinha da Lady Gaga ("pocker face") é bem mais complicado;
...manter-me acordada para ver um filme depois de jantar é bem mais complicado;
...não berrar é bem mais complicado;
...ter de dizer "até um dia destes" é bem mais complicado;
...não ter lenços na carteira quando se está constipada é bem mais complicado;
...gostar é bem mais complicado!

P.Sawyer*

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Engodo dos Medos


É rodeados do engodo dos medos que as nossas fraquezas sobressaem. Se não fossem as palavras, quer seja de forma verbal, quer seja de forma escrita, como poderiamos ultrapassar essas fraquezas? Um gesto não chega, um pensamento muito menos, um retiro espiritual nem pensar, uma longa caminha só serve para contar as pedrinhas que vamos pontapeando enquanto arrastamos os pés e a música ajuda a que o engodo seja ainda mais profundo e depressivo, até porque nesse preciso momento, vamos saber escolher pormenorizadamente a musiquinha mais depressiva que encontrarmos no mp3. Essas fraquezas também servem para nos conhecermos melhor e para que o erguer da queda não seja tão violento como a própria queda em si. Escolher enfrentar as fraquezas é uma opção, mas torná-las qualidades é realmente de génio. E nessa altura so sobra um caminho: crescer. E havemos de ter 30, 40, 50 anos e vamos ter de continuar a "crescer", até porque o verdadeiro engodo dos medos só termina na altura que deixamos de estar vivos. Viver é uma aventura constante e uma tomada de decisões permanente, até nos medos que escolhemos ter. Sim, escolhemos os medos, tendo em conta que apenas valorizamos aquilo que tem importância para nós, e os medos para mim são a valorização de uma determinada situação. Sempre positiva, porque ter medo é uma demonstração positiva de recear algo com consequências. E lá voltamos à velha história da tomada de decisões: hipóteses, consequências, finalidades. A matemática sempre foi uma das minha fraqueza. Mas tenho um amuleto da sorte, não vá o diabo tece-las!

P.Sawyer*

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Fome


Ter fome é inacreditável. Para além das reacções orgânicas e biológicas que provoca a fome por todo o nosso corpo (especial enfoque para a desgraçada da barriguinha que farta-se de fazer barulho a pedir socorro) também é de louvar a fascinante resistência do ser humano para enganá-la. É por isso q a nossa cabecinha é muito mais poderosa do que, aquele que dizem ser o orgão que nos matem vivos, o nosso coração. Tudo tretas! A informação do suposto "ter fome" chega a onde? À cabecinha. E se não comermos o que é que acontece mais cedo ou mais tarde? Caput! E outra coisa gira é o facto de toda a gente, malta que tem a mania que morre por amor e que é muito apaixonada, dizerem que o senhor coração comanda as hostes dos sentimentos, da paixão e do encantamento pelo outro. Está tudo na nossa cabecinha, e por mais irracional que se seja, continua a ser a cabeça a controlar todos os movimentos, todos os comportamentos e todos os sentimentos. A imagem do "coração" alicerçada ao sentimento é meramente figurativa, até porque convenhamos, um coração "verdadeiro" é tudo menos bonito, palpitante e cintilante e com formas perfeitas e regulares (que pessoa racional e calculista.. uhhh, que medo!). Mantem-nos vivos, é importantíssimos para que o sangue seja bem bombeado pelo corpinho todo, mas as informações importantes de "ajuda" vão todas ter ao cérebro. "Cabecinha para que te quero...!" (adoro esta expressão, esta adoro mesmo!). Comer é essêncial para que tudo funcione à maneira aqui com o nosso cabide humano, e ter fome e não comer é exactamente a mesma coisa que ver One tree Hill e não ter Lucas nem Peyton (amiguinha brasileira, creio que vamos ter más noticias para a season 7, querem mandar embora o Lucas e se o Lucas for embora, a Peyton também não continua na série). Aqui em Portugal nunca passou esta série, mas adianto que para quem adorou O.C., One Tree Hill é de devorar 5 episódios por dia, seguidinhos. Tudo tem um fim, e esta série não é excepção. Odeio mudanças, odeio ter de me habituar a coisas novas e rotinas novas e a deixar de ter aquela "coisinha certa" que me alimenta um sorriso enorme sempre que ligo o leitor de DVD's portátil. Portanto, é favor começarem imediatamente a gravar os novos episódios da season 7. Também temos os nossos direitos e exigimos OTH de volta com urgência, certo, Carolina? E se tivessemos 2 aninhos, o mais provável seria dizer que a nossa cabecinha é uma espécie de Fada Sininho que anda sempre de um lado po outro a chamar-nos atenção das mil e uma coisas que vão aparecendo e que, por vezes, tão subtilmente vamos tentando dar a volta (como é o caso da fome). E a fome também nos deixa num estado tal, que de repente até passamos a gostar e a desejar comer coisas que nem gostamos... e é isso que eu adoro na fome, o poder de ilusão e da alucinação constante por comida. Às páginas tantas damos por nós a imaginar um banquete divinal, cheio de cores, bolachas de manteiga, palitinhos de chocolate, bolinhos de areia, goffres, frutas, sobremesas, sim... muitas sobremesas! Creio ainda não ter mencionado que estou esfomeada neste preciso momento... estou mesmo.

P.Sawyer*

terça-feira, 26 de maio de 2009

O Aplauso


Dizem, sábiamente, que a nossa linguagem não verbal por vezes diz muito mais que as nossas palavras (tão inutilmente utilizadas, por vezes). E de todas as formas e maneiras de nos expressarmos visualmente e corporalmente, a minha preferida é sem dúvida uma boa salva de palmas, isto é, o aplauso. E um aplauso bem analisado tem muito que se lhe diga. Por isso mesmo é importante ir buscar-lhe as raizes: de acordo com uma das teorias mais bizarras, o aplauso teria surgido entre os homens das cavernas como forma de comemorar caçadas bem-sucedidas. A princípio, os nossos antepassados celebrariam o banquete dando cabeçadas uns nos outros, até que, finalmente, alguma alminha iluminada, cansada dos galos na cabeça, sugeriu a troca da dolorosa celebração. A versão mais plausível, contudo, aponta que o surgimento do aplauso, ocorrido há cerca de 3 mil anos, teria conotação religiosa, ou seja, seria o instrumento usado por membros de tribos pagãs para chamar a atenção dos deuses nos rituais. Mais tarde, na Grécia antiga, a plateia de espetáculos teatrais passou a usar as palmas para invocar os espíritos protetores das artes. Já no Império Romano, o gesto começou a ser utilizado também como sinal de aprovação a autoridades que faziam aparições públicas. Por volta do século XVIII, os franceses inventaram a claque teatral: grupo de pessoas previamente contratadas por um artista espertalhão para aplaudir o seu espectáculo. Mas nem sempre um aplauso é sinônimo de elogio. Com o tempo, as palmas ganharam significados bem variados. E agora vem a parte mais interessante disto tudo. Bater palmas lenta e sincronizadamente: é um sinal irônico para mostrar a desaprovação ao espectáculo. Bater palmas de forma crescente: é a maneira de “avisar” um artista atrasadíssimo que está mais do que na hora de começar o concerto (e quem nunca passou por isto.. que maravilha!). Bater os dedos de uma mão contra a palma da outra: é outra forma sarcástica de aplauso. Estalar o polegar e o dedo médio: em ambientes refinados (muito LOL) é considerado um modo mais elegante de aplaudir (e eu até descobri há pouco tempo, enquanto via na eurosport aqueles fantásticos tornerio de snoker, e apenas como passagem para o inicio da transmissão de Roland Garros, que os espectadores andavam todos aos estalinhos...até ter uma conversa séria com o meu irmão, continuei a acreditar que eles estavam a afastar abelhas! Amei saber!).
Não deve ter sido a primeira vez que bati palmas na vida, até porque ja tinha os meus 6 aninhos na altura, mas ficou-me bem viva e gravada a memória de quano bati palmas de "alegria" (e de forma consciente) pela primeira vez: tinha entrado um menino novo para a nossa turma, e bastou atravessar a porta grande e branca que dividia o corredor da sala de aulas, para receber o maior dos aplausos. O meu foi sentido e de alegria. E tinha eu 6 aninhos...


P.Saywer*

domingo, 24 de maio de 2009

"Cada um é como cada qual"


"Cada um é como cada qual!" (odeio esta expressão e abomino ainda mais as pessoas que pensam que ao utilizá-la estão a prestar provas da sua inteligência popular). Mas, num extremo muito "extremo" dos "extremos"... efectivamente, "cada um é como cada qual" e contra isso não há muito a dizer. Todos temos as nossas manias, as nossas particularidades (e peculiaridades), as nossas teimosias e os nossos hábitos. E, a cima de tudo, há que saber respeitar e saber conviver com todas essas caracteristicas do próximo, ou não fosse isso o princípio chave do tão aclamado e amado "viver em comunidade" (adoro clichés, fazem me rir ás gargalhadas. E para aqueles que estão menos actualizados, até já existe "O livro dos Clichés". Fantástico!). Há uns dias estava a jantar e comecei a pensar na minhas manias na forma como me alimento. Não tem nada a ver com os alimentos que como até porque ai sou exactamente igual a tudo e a todos. Ao que me referia é a forma de ingerir os alimentos, e é fácil perceber se colocar algumas questões aleatórias: alguma vez nesta vida alguém foi buscar uma azeitona ao pratinho com um garfo? EU! Quem é que come pizza de faca e garfo, e sempre a começar pela massa e pelos cantos? EU! Quem é que come churrasco de faca e garfo? EU! Quem é que descasca camarões de faca e garfo? EU! E existem tantas coisas que até tenho vergonha de expôr...! Mas a das azeitonas é uma máximo. E tudo isto tem de ter uma explicação, e a única coisa que me vem à mente é o facto de quando era pequenina nunca me ter dado muito bem com o mexer em plasticina, em cola, em areia, em terra ou em lama. Enfim, todas as crianças têm essa paranoia de adorar mexer e remexer em tudo o que é mole e especialmente porco e a cheirar mal. Nesse aspecto sempre fui muito "menininha". Detestava sujar-me e muito menos andar a brincar com substâncias com texturas duvidosas. Ás contas da minha selectividade do brinquedo a escolher quando tinha 4 aninhos e um mundo à minha volta para explorar, hoje tiro as azeitonas dos pratinhos com um garfo. Podia ter sido bem pior, mas nunca fiando: "Cada um é como cada qual"!


P.Saywer*

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Mónica, 8 anos


"Quando a minha avó ficou com artrites , não se podia dobrar para pintar as unhas dos pés. Portanto, o meu avô fez sempre isso por ela, mesmo quando ele também apanhou artrite nas mãos. Isso é amor." - Mónica, 8 anos.

É por estas e por outras que tenho a certeza absoluta que vou ser uma pessoa 100% realizada profissionalmente e que não alteraria um milimetro as perspectivas de futuro que tenho para mim e as metas que quero alcançar dentro da psicologia educacional. Obrigado por me deixares de boca aberta com as tuas descobertas, 'Mac!


P. Saywer*

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Altair


A formiga tem uma vida curta. O lenço de papel tem uma vida curta. A pasta dos dentes tem uma vida curta. O protector solar tem uma vida curta. O caracol tem uma vida curta. As bebidas têm uma vida curta. A bateria de um telémovel tem vida curta. Um lápis tem vida curta. Um perfume tem vida curta. Um vela tem uma vida curta. Os "Donuts Berlim" têm uma vida curta. O papel de embrulho tem uma vida curta. Um saco do lixo tem uma vida curta. Um batôm tem uma vida curta. Um verniz para as unhas tem uma vida curta. Um envelope tem uma vida curta. Os chocolates têm uma vida curta. A borboleta tem uma vida curta. As pipocas (salgadas) têm uma vida curta. As pastilhas elásticas têm uma vida curta. Os ovos têm uma vida curta. Os detergentes têm uma vida curta. O livro de matemática do secundário tem uma vida curta. As bolachas de manteiga têm uma vida curta. As massinhas com carne por dentro têm uma vida curta. O papel higiénico tem uma vida curta. Os fósforos têm um vida curta. As velas de aniversário têm uma vida curta. Uma banana na mão de um macaco tem uma vida curta. Os copos e os pratos de plástico têm uma vida curta.


Mas as estrelas, as estrelas podem viver vários bilhões de anos. Têm uma vida longa, poderosa, luminosa, são portadoras de uma forma única e singular, o seu brilho é capaz de alcançar distancias inter-galácticas e desde o nascimento até à sua fragmentação e dissipação são 500 mil as histórias que têm para contar. A Alpha Aquilae, conhecida como Altair, nome de origem árabe que significa "Aguia voando" é a estrela mais brilhante da constelação de Áquila. Tem uma magnitude aparente 0,89, magnitude absoluta 2,4. É oito vezes mais luminosa que o Sol. A sua temperatura superficial é de 8600K. Possui um movimento próprio de 0,658 segundo de arco por ano (1º em 5470 anos) e uma velocidade radial de -26km/s. A sua distância à Terra é de 16 anos-luz.
Vai fazer 77 anos, no dia 28 de Maio, que esta estrela existe. A unica singularidade é que em vez de estar pendurada no céu, está pendurada no meu coração há 24 anos e muito bem coladinha ao Planeta Terra (fui eu que a colei com "super-cola 3", não a deixo ir a lado nenhum!). Adoro observar e acarinhar o teu brilho todos os dias, faz-me sentir uma estrela também. Brilha para mim. Brilha muito para mim e ao pé de mim. 77 anos não são bilhões de anos (até posso ser péssima a matemática, mas para aquilo que me interessa, sei muito bem certas coisas..), está muito longe disso, logo, esta estrela tem muito e muito e muito para viver. E eu muito tenho para aprender com ela.


P.Sawyer*

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Elogio à dependência


Há coisas incríveis! A sério que há.. e quanto mais uma pessoa absorve informação, mais quer absorver e mais rapidamente se depara com coisas extraordinárias. Sempre nos ensinaram que é muito importante, antes de julgar alguém ou alguma situação, pormo-nos no lugar do outro e tentar entender o seu ponto de vista e os seus comportamentos. É muito bonito, mas quando nos toca a nós, a coisa complica-se. Encontrei um bom exemplo numa das minhas peregrinações da leitura (obrigado, Filipa): somos bombardeados constantemente com os malefícios dos vícios e das dependências e da forma como estes podem neutralizar a vida de uma pessoa. E já alguém tentou por-se na pele de uma destas pessoa e encontrar e encarar o lado positivo da questão? Possivelmente já. Mas aposto que nunca como Chuck Palahniuk (in "Asfixia") o fez:


"Admiro os viciados. Num mundo em que está toda a gente à espera de uma catástrofe total e aleatória ou de uma doença súbita qualquer, o viciado tem o conforto de saber aquilo que quase de certeza estará à sua espera ao virar da esquina. Adquiriu algum controlo sobre o seu destino final e o vício faz com que a causa da sua morte não seja uma completa surpresa. De certo modo, ser um viciado é uma coisa bastante proactiva. Um bom vício retira à morte a suposição. Existe mesmo uma coisa que é planear a tua fuga."


E apartir daqui, retirem as vossas própria conclusões deste elogio à dependência.


P.Sawyer*

quinta-feira, 7 de maio de 2009

"Um dos mais poderosos exercícios de crescimento..."


Com sabedoria, com sensatez, com atenção e com muita determinação é sempre possível alcançar aquilo que realmente queremos e ultrapassar os obstáculos mais poderosos. O ser humano é dotado de inteligência e capacidades mentais para isso mesmo, e eu sou daquelas que acredita que apenas é preciso trabalhá-las durante a vida para que sejam visíveis por todos. Não existem pessoas burras, existem sim pessoas preguiçosas e sem vontade de "chegar lá". Conheço uma menina que, muito pertinente em tudo aquilo q diz, achava por bem ser obrigatório em todos os trabalhos que entregamos na faculdade (recheados de regras e normas da APA que deixam qualquer uma de nós com a cabeça em água...), seguidamente ao índice, fazer uma pequena citação sobre o tema do trabalho ou deixar uma espécie de pensamento solto; com o objectivo de fazer com que a pessoa que está a ler o trabalho, perde-se alguns minutos a reflectir naquilo. Adoro pessoas com ideais fortes e vincadas e, principalmente, com ideias únicas e progressistas. Não sou muito de frases feitas, aliás, não sou nada de frases feitas. Só promovem a falta de criatividade numa pessoa e aquilo que é "lido" e não "dito genuinamente" nunca é vindo do coração... por isso não conta. É plágio! É plágio! É plágio, carambas! Mas... podemos sempre retirar algumas ideias dessas mesmas citações, só não dá é para utilizá-las integralmente, é quase como se roubassemos a sabedoria da pessoa que, com mais esforço ou menos esforço, ou com mais LSD ou menos LSD, conseguiu chegar a uma brilhante mistura de palavras que até fazem algum sentido. Se alguem quiser retirar alguma ideia em especial ou muitas em particular, deixo aqui a última citação que li, desprovida da sua importância, enquanto estava sentada na sala de espera de um hospital:



"Um dos mais poderosos exercícios de crescimento interior consiste em prestar atenção às coisas que fazemos automaticamente, como respirar, piscar os olhos ou reparar em tudo à nossa volta. Sempre que fazemos isso permitimos que o nosso cérebro trabalhe com mais liberdade, sem a interferência de nossos desejos. Dessa maneira, certos problemas que pareciam insolúveis terminam sendo resolvidos; certas dores que julgavamos insupurtaveis, acabam por dissipar-se sem esforço."




cit in "Pensamentos de Paulo Coelho", by Maria Nalú


P.Sawyer*

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Crianças


Ao som de dEUS ("Instant Street") é quase possível escrever sobre qualquer coisa que nos venha à cabeça. E embora a realidade seja essa, neste momento ao som de dEUS só me vem à cabeça a felicidade que as crianças têm em ser crianças, e nem se apercebem disso. Se eu tivesse cinco anos ia adorar que alguém me dissesse algo do género: "Pequenina, aproveita bem o teu coraçãozinho puro, aproveita bem as tuas ilusões e as tuas fantasias, aproveita bem o teu mundinho cor de rosa e as tuas brincadeiras porque num piscar de olhos passas a ter 30 anos e a coisa complica-se!". Deviamos ficar pequeninos, assim com quatro, cinco aninhos, durante uns 20 anos seguidos..! Iamos absorver de tal maneira o mundinho que criamos com os nossos olhinhos não poluidos por infelicidades, egoismos, injustiças, sofrimentos, tristezas, perdas, desencontros, angústias e tantas outras coisas que tudo seria perfeito para sempre. O meu mundinho utópico seria esse mesmo. Era um mundinho em que as árvores do recreio eram a casa das fadinhas e o fundo das escadas era a casa das bruxas más; era um mundinho em que pacotes de arroz cheios de terra eram farinha ou comida para as pequenas sereias se alimentarem; era um mundinho em que as estrelas estavam "penduradas" no céu porque alguém esteve a "pregá-las" enquanto era dia e ninguém cá em baixo se apercebia; era um mundinho que quando caia um dente de leite bastava pôr debaixo da almofada enquanto dormiamos e no dia seguinte tinhamos uma prenda da fada madrinha; era um mundinho em que as bonecas no nosso quarto falavam durante a noite enquanto dormiamos; era um mundinho em que a coisa mais importante era pintar os desenhos com lápis de cor, sempre com combinações de cores completamente absurdas, sem que passassemos para fora da linha; era um mundinho em que ver papeis escritos à máquinha era delirante (pois, a existência do computador mudou muita coisa, entretanto..); era um mundinho em que os relâmpagos era sinal que o menino Jesus estava a portar-se mal e o pai dele estava a ralhar-lhe... (...)


P.Sawyer*

domingo, 26 de abril de 2009

A lenda do Narciso


Esta vai directamente e expressamente para todos os egocêntricos. Have fun e nunca se esqueçam que o vosso "reinado" chega a um belo dia e termina, sem que ninguém se recorde de vocês pelos motivos certos...

"O Alquimista conhecia a lenda do Narciso, um belo rapaz que todos os dias ia contemplar a sua própria beleza num lago. Estava tão fascinado por si mesmo que certo dia caiu dentro do lago e morreu afogado. No lugar onde caiu, nasceu uma flor, que chamaram narciso. Mas não era assim que Oscar Wilde acabava a história. Ele dizia que quando Narciso morreu, vieram as Oréiades - deusas do bosque - e viram o lago transformado, de um lago de água doce, num cântaro de lágrimas salgadas.


- Porque choras? -perguntaram as Oréiades.


- Choro por Narciso -disse o lago.


- Ah, não nos espanta que chores por Narciso -continuaram elas. - Afinal de contas, apesar de todas nós corrermos atrás dele pelo bosque, tu eras o único que tinha oportunidade de contemplar de perto a sua beleza.


- Mas Narciso era belo? -perguntou o lago.

- Quem mais do que tu poderia saber isso? -responderam, surpresas, as Oréiades. - Afinal de contas, eras nas tuas margens que ele se debruçava todos os dias.


O lago ficou algum tempo silencioso. Por fim, disse:


- Eu choro por Narciso, mas nunca tinha percebido que Narciso era belo. Choro por Narciso, porque todas as vezes que ele se debruçava sobre as minhas margens eu podia ver, no fundo dos seus olhos, a minha própria beleza reflectida."

cit in "O Alquimista" by Paulo Coelho


P.Sawyer

quinta-feira, 23 de abril de 2009

"Tu és daquelas que muda a carga ás canetas?"




Hoje fiquei sem carga na caneta durante uma aula, e a "Filipa Manuela" (de forma bastante sabia, apesar de na altura ter parecido uma situação banalissima) questionou-me: "Tu és daquelas que muda a carga ás canetas?". Ao qual eu respondi: "Claro, esta caneta tenho há muitos anos e, por acaso, até foi o meu pai que me ofereceu!". E não é que eu mudo a carga ás canetas!?!? E nunca me tinha apercebido da importância de tal comportamento até então?!? Afinal o que é que isso diz de uma pessoa?... Sim, quando a carga da minha caneta acaba, obviamente que compro outra carga, tendo em conta que só gosto de escrever com duas canetas, isso é bastante significativo. E porquê que só gosto de escrever com duas canetas? (e têm de ser obrigatóriamente de tinta azul). Porque são canetas que tem um valor sentimental, que me foram acompanhando ao longo de alguns momentos e que foram oferecidas por pessoas especiais. Ou seja, é notória a carga emocional que deposito numa caneta e em tudo o que escrevo. Fantástico. E nunca me tinha apercebido. E mais, não tenho conhecimento de mais ninguém que tenha o mesmo ritual que eu (até hoje, pelo menos, isso pode mudar, se alguém se quiser acusar, claro...): sempre que estudo gosto de fazer esquemas e de organizar a informação por tópicos, logo, utilizo uma folha em branco e uma caneta para escrever. O que é que acontece... se por acaso estiver a fazer isso com uma das canetas de plástico que tenho amontuadas na caneca em cima da secretária, vai ter de ser com essa mesma caneta que vou fazer o exame. Ainda por cima, atribuo um sentido de responsabilidade à caneta tal, que se ela esteve a escrever aquelas palavras quando estava a preparar-me para o exame, quando estiver em pleno momento de avaliação "ela" (caneta) não me vai poder deixar ficar mal. Somos quase obrigados a ultilizá-la todos os dias, é capaz de ser o objecto que mais tempo seguido passa na nossa mão direita (ou esquerda) e eu ainda sou capaz de acrescentar a esta "companheira" muitos e longos anos de vida, visto que há duas canetas que enquanto estiverem nas minhas mãos nunca vão ficar sem tinta.



P.Sawyer*

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Elevador

Ultimamente tenho andado muito de elevador. Por acaso é um elevador grandalhão e com as paredes pintadas de vermelho. Poderia ser mais convidativo, tipo o elevador da série "Grey's Anatomy" que tão bem me acompanha nas longas manhãs de fim-de-semana. Para quem não sabe, e nunca teve curiosidade de espreitar a série a que me refiro (o que acho um pouco impossivel), o tal elevador a que me refiro (na série) é castanho e a meio tem uma barrinha de metal. É quase como se fosse um "confessionário" para os médicos e os estgiários da série. Um confessionário bastante moderno cheio de emoções fortes e com uma mistica poderosa que até permite declarações de amor, declarações de saudade, beijos e envolvimentos, discussões sobre as vida dos colegas e discussões sobre a própria vida, assim como a fantástica troca de olhares entre aqueles que não se falam mas que deveriam, até porque um não vive sem o outro. Quase que se podia inventar uma espécie de terapia comportamental feita dentro desse elevador, tenho em mim que ia gerar resultados alucinantes. O elevador é uma máquina e uma invensão do homem cheia de funcionalidades, e dependendo do local em que está, com objectivos diferentes e com propósitos singulares. Para quem vê "Grey's Anatomy" não apenas por ver, mas tentando ler nas entre linhas, dá pa perceber bastante bem que o elevador é quase como se fosse "um cúpido", ganhando uma forma robótica. Os elevadores dos prédios servem para uma pessoa se ver ao espelho antes de sair de casa e pa ver se o cabelo ficou mesmo bem penteado. E se tivermos o azar de não irmos sozinhos, ainda temos de falar sobre o tempo lá fora (sim, porque silêncios desagradáveis em pleno elevador, é proibido!). Os elevadores nos ginásios servem para não termos de andar a subir e a descer escadas quando já tivemos 2horas a massacrar as nossas perninhas, que não tem culpa nenhuma das nossas opções masoquistas. Sei lá, podem existir tantas maneiras de encarar a significação que damos a um elevador como a quantidade de pessoas que continuam a acreditar que nós, Homens, somos fruto da costela de Adão (BULSHET...). Eu entro no elevador ansiosa e desejosa por chegar ao piso que quero e correr pelo corredor fora até estar no sitio certo... e saiu do elevador ansiosa e desejosa que o resto do dia passe depressa, para que no dia seguir possa voltar a entrar novamente no elevador.


P.Sawyer*

terça-feira, 14 de abril de 2009

101

Estar em férias tem destas coisas. Quando temos obrigações e tralhas e mais tralhas para fazer, organizar e estudar, ansiamos desesperadamente por férias, mas quando estamos de férias, e por acaso até calha de ficarmos um dia inteiro em casa, em vez de aproveitarmos para fazer alguma coisa decente e interessante, ligamos o computador e acabamos por nos entreter com o que apareça à frente. Coincidência ou não, e apesar de não gostar de números e de matemáticas e de estatisticas e contas, adoro listas que ordenam e fazem um tipo de "count down". Ordenar por gostos, por preferências, por interesse, por isto, por aquilo... enfim, gosto de listas que demontram graus de importância, quer seja para o positivo quer seja para o negativo (ah, e também me apaixono facilmente por capicuas! embora os números não sejam o meu forte, lembro-me bem que quando fiz 22 anos andei o ano inteiro a espalhar aos sete ventos que tinha feito 22, uma capicua! Pensar que agora só volto a ter a idade em capicua aos 33, assusta-me e atormenta-me um bocadinho... 101 - capicua). Estava eu num desses dias fantásticos de férias, e depois de entrar em 500 mil sites diferentes, quando me deparo com esta informação: "Uma personagem de ficção é resumidamente no mundo do real qualquer pessoa, identidade ou entidade que a sua existência é originada por uma obra ou actuação fictícia. Ora, foi por aí que 3 escritores pegaram para publicar um Top de 101 personagens não-existentes que mais influenciaram o modo de ver e viver o nosso mundo. Dan Karlan, Allan Lazar e Jeremy Salter escreveram em 336 páginas uma lista onde se encontram nomes tão famosos da população. Desde os livros, cinema ou mesmo cultura popular, a obra percorre por diversas épocas e locais onde estes fictícios "existiam"":

Top 50 de 101:

1. The Marlboro Man

2. Big Brother

3. King Arthur

4. Santa Claus (Pai Natal)

5. Hamlet

6. Dr. Frankenstein's Monster

7. Siegfried

8. Sherlock Holmes

9. Romeo and Juliet

10. Dr. Jekyll e Mr. Hyde

11. Uncle Tom

12. Robin Hood

13. Jim Crow

14. Oedipus

15. Lady Chatterly

16. Ebenezer Scrooge

17. Don Quixote

18. Mickey Mouse

19. The American Cowboy

20. Prince Charming

21. Smokey Bear

22. Robinson Crusoe

23. Apollo and Dionysus

24. Odysseus

25. Nora Helmer

26. Cinderella

27. Shylock

28. Rosie the Riveter

29. Midas

30. Hester Prynne

31. The Little Engine That Could

32. Archie Bunker

33. Dracula

34. Alice in Wonderland

35. Citizen Kane

36. Faust

37. Figaro

38. Godzilla

39. Mary Richards

40. Don Juan

41. Bambi

42. William Tell

43. Barbie

44. Buffy the Vampire Slayer

45. Venus e Cupid

46. Prometheus

47. Pandora

48. G. I. Joe

49. Tarzan

50. Captain Kirk e Mr. Spock


Devo confessar que fiquei bastante agradada com o posicionamento de Romeu e Julieta (9), afinal de contas a humanidade ainda gosta de uma boa e bela história de amor Shakespeariana (foi o primeiro livro de Shakespear que li e maravilhei-me do principio ao fim), assim como a posição da Barbie (43), afinal de contas para muitos, a bonequinha loira que revolucionou o mundo dos brinquedos, continua a fazer das suas (resta saber se as pessoas que permitiram chegar a esta listagem já não tinham mais de 70 aninhos...).


P.Sawyer*

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"Vermelho paixão"


...E só foi preciso um pincel e uma lata de tinta "vermelho paixão". Era branca a parede inicialmente, branco simples, branco vulgar, branco pálido. Eram muitas as ideias e os pensamentos criativos para que o "simples" um dia se pudesse tornar "intenso" e "único". Para além do pincel e da tinta "vermelho paixão", foi preciso uma directa. Uma noite sem dormir em que a criatividade da menina estava a chamar por ela e a empurrá-la para uma realidade tão poderosa que os seus olhos não poderiam fechar sem que aquela parede transpira-se emoção, sentimento, devoção. Pintou, pintou e pintou. Pendurada num banquinho conseguiu alcançar os pontos mais altos e distantes do seu alcance. É uma menina inteligente, esforçada e que não desiste facilmente daquilo a que se propõe. O seu coração é grande como a lua, grande como a muralha da China, grande como a Torre Eiffel, grande como os Clérigos. A parede estava pintada. Talvez ainda lhe fosse dar alguns retoques, mas a base estava concluída. No entanto, a criatividade não a deixou parar. Era preciso mais. Tal como uma verdadeira artista, a menina encontrou numa parede paralela o local ideal para "construir" algo inovador. Palavras misturadas com pensamentos, letrinhas misturadas com cor, recortes misturados com dedicatórias, desenhos misturados com símbolos, frases de esperança e de confiança, frases de amor e paixão, frases de alegria e de felicidade, frases carregadas de significados multifacetados que a menina arranjou maneira de enquadrá-los no mundo real. Sim, porque a menina vive num castelo encanto e tem no portão do seu castelo dois cavalos brancos e uma carruagem cor-de-rosa... Era uma vez uma menina... que viveu feliz para sempre...

P.Sawyer*