quinta-feira, 30 de abril de 2009

Crianças


Ao som de dEUS ("Instant Street") é quase possível escrever sobre qualquer coisa que nos venha à cabeça. E embora a realidade seja essa, neste momento ao som de dEUS só me vem à cabeça a felicidade que as crianças têm em ser crianças, e nem se apercebem disso. Se eu tivesse cinco anos ia adorar que alguém me dissesse algo do género: "Pequenina, aproveita bem o teu coraçãozinho puro, aproveita bem as tuas ilusões e as tuas fantasias, aproveita bem o teu mundinho cor de rosa e as tuas brincadeiras porque num piscar de olhos passas a ter 30 anos e a coisa complica-se!". Deviamos ficar pequeninos, assim com quatro, cinco aninhos, durante uns 20 anos seguidos..! Iamos absorver de tal maneira o mundinho que criamos com os nossos olhinhos não poluidos por infelicidades, egoismos, injustiças, sofrimentos, tristezas, perdas, desencontros, angústias e tantas outras coisas que tudo seria perfeito para sempre. O meu mundinho utópico seria esse mesmo. Era um mundinho em que as árvores do recreio eram a casa das fadinhas e o fundo das escadas era a casa das bruxas más; era um mundinho em que pacotes de arroz cheios de terra eram farinha ou comida para as pequenas sereias se alimentarem; era um mundinho em que as estrelas estavam "penduradas" no céu porque alguém esteve a "pregá-las" enquanto era dia e ninguém cá em baixo se apercebia; era um mundinho que quando caia um dente de leite bastava pôr debaixo da almofada enquanto dormiamos e no dia seguinte tinhamos uma prenda da fada madrinha; era um mundinho em que as bonecas no nosso quarto falavam durante a noite enquanto dormiamos; era um mundinho em que a coisa mais importante era pintar os desenhos com lápis de cor, sempre com combinações de cores completamente absurdas, sem que passassemos para fora da linha; era um mundinho em que ver papeis escritos à máquinha era delirante (pois, a existência do computador mudou muita coisa, entretanto..); era um mundinho em que os relâmpagos era sinal que o menino Jesus estava a portar-se mal e o pai dele estava a ralhar-lhe... (...)


P.Sawyer*

domingo, 26 de abril de 2009

A lenda do Narciso


Esta vai directamente e expressamente para todos os egocêntricos. Have fun e nunca se esqueçam que o vosso "reinado" chega a um belo dia e termina, sem que ninguém se recorde de vocês pelos motivos certos...

"O Alquimista conhecia a lenda do Narciso, um belo rapaz que todos os dias ia contemplar a sua própria beleza num lago. Estava tão fascinado por si mesmo que certo dia caiu dentro do lago e morreu afogado. No lugar onde caiu, nasceu uma flor, que chamaram narciso. Mas não era assim que Oscar Wilde acabava a história. Ele dizia que quando Narciso morreu, vieram as Oréiades - deusas do bosque - e viram o lago transformado, de um lago de água doce, num cântaro de lágrimas salgadas.


- Porque choras? -perguntaram as Oréiades.


- Choro por Narciso -disse o lago.


- Ah, não nos espanta que chores por Narciso -continuaram elas. - Afinal de contas, apesar de todas nós corrermos atrás dele pelo bosque, tu eras o único que tinha oportunidade de contemplar de perto a sua beleza.


- Mas Narciso era belo? -perguntou o lago.

- Quem mais do que tu poderia saber isso? -responderam, surpresas, as Oréiades. - Afinal de contas, eras nas tuas margens que ele se debruçava todos os dias.


O lago ficou algum tempo silencioso. Por fim, disse:


- Eu choro por Narciso, mas nunca tinha percebido que Narciso era belo. Choro por Narciso, porque todas as vezes que ele se debruçava sobre as minhas margens eu podia ver, no fundo dos seus olhos, a minha própria beleza reflectida."

cit in "O Alquimista" by Paulo Coelho


P.Sawyer

quinta-feira, 23 de abril de 2009

"Tu és daquelas que muda a carga ás canetas?"




Hoje fiquei sem carga na caneta durante uma aula, e a "Filipa Manuela" (de forma bastante sabia, apesar de na altura ter parecido uma situação banalissima) questionou-me: "Tu és daquelas que muda a carga ás canetas?". Ao qual eu respondi: "Claro, esta caneta tenho há muitos anos e, por acaso, até foi o meu pai que me ofereceu!". E não é que eu mudo a carga ás canetas!?!? E nunca me tinha apercebido da importância de tal comportamento até então?!? Afinal o que é que isso diz de uma pessoa?... Sim, quando a carga da minha caneta acaba, obviamente que compro outra carga, tendo em conta que só gosto de escrever com duas canetas, isso é bastante significativo. E porquê que só gosto de escrever com duas canetas? (e têm de ser obrigatóriamente de tinta azul). Porque são canetas que tem um valor sentimental, que me foram acompanhando ao longo de alguns momentos e que foram oferecidas por pessoas especiais. Ou seja, é notória a carga emocional que deposito numa caneta e em tudo o que escrevo. Fantástico. E nunca me tinha apercebido. E mais, não tenho conhecimento de mais ninguém que tenha o mesmo ritual que eu (até hoje, pelo menos, isso pode mudar, se alguém se quiser acusar, claro...): sempre que estudo gosto de fazer esquemas e de organizar a informação por tópicos, logo, utilizo uma folha em branco e uma caneta para escrever. O que é que acontece... se por acaso estiver a fazer isso com uma das canetas de plástico que tenho amontuadas na caneca em cima da secretária, vai ter de ser com essa mesma caneta que vou fazer o exame. Ainda por cima, atribuo um sentido de responsabilidade à caneta tal, que se ela esteve a escrever aquelas palavras quando estava a preparar-me para o exame, quando estiver em pleno momento de avaliação "ela" (caneta) não me vai poder deixar ficar mal. Somos quase obrigados a ultilizá-la todos os dias, é capaz de ser o objecto que mais tempo seguido passa na nossa mão direita (ou esquerda) e eu ainda sou capaz de acrescentar a esta "companheira" muitos e longos anos de vida, visto que há duas canetas que enquanto estiverem nas minhas mãos nunca vão ficar sem tinta.



P.Sawyer*

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Elevador

Ultimamente tenho andado muito de elevador. Por acaso é um elevador grandalhão e com as paredes pintadas de vermelho. Poderia ser mais convidativo, tipo o elevador da série "Grey's Anatomy" que tão bem me acompanha nas longas manhãs de fim-de-semana. Para quem não sabe, e nunca teve curiosidade de espreitar a série a que me refiro (o que acho um pouco impossivel), o tal elevador a que me refiro (na série) é castanho e a meio tem uma barrinha de metal. É quase como se fosse um "confessionário" para os médicos e os estgiários da série. Um confessionário bastante moderno cheio de emoções fortes e com uma mistica poderosa que até permite declarações de amor, declarações de saudade, beijos e envolvimentos, discussões sobre as vida dos colegas e discussões sobre a própria vida, assim como a fantástica troca de olhares entre aqueles que não se falam mas que deveriam, até porque um não vive sem o outro. Quase que se podia inventar uma espécie de terapia comportamental feita dentro desse elevador, tenho em mim que ia gerar resultados alucinantes. O elevador é uma máquina e uma invensão do homem cheia de funcionalidades, e dependendo do local em que está, com objectivos diferentes e com propósitos singulares. Para quem vê "Grey's Anatomy" não apenas por ver, mas tentando ler nas entre linhas, dá pa perceber bastante bem que o elevador é quase como se fosse "um cúpido", ganhando uma forma robótica. Os elevadores dos prédios servem para uma pessoa se ver ao espelho antes de sair de casa e pa ver se o cabelo ficou mesmo bem penteado. E se tivermos o azar de não irmos sozinhos, ainda temos de falar sobre o tempo lá fora (sim, porque silêncios desagradáveis em pleno elevador, é proibido!). Os elevadores nos ginásios servem para não termos de andar a subir e a descer escadas quando já tivemos 2horas a massacrar as nossas perninhas, que não tem culpa nenhuma das nossas opções masoquistas. Sei lá, podem existir tantas maneiras de encarar a significação que damos a um elevador como a quantidade de pessoas que continuam a acreditar que nós, Homens, somos fruto da costela de Adão (BULSHET...). Eu entro no elevador ansiosa e desejosa por chegar ao piso que quero e correr pelo corredor fora até estar no sitio certo... e saiu do elevador ansiosa e desejosa que o resto do dia passe depressa, para que no dia seguir possa voltar a entrar novamente no elevador.


P.Sawyer*

terça-feira, 14 de abril de 2009

101

Estar em férias tem destas coisas. Quando temos obrigações e tralhas e mais tralhas para fazer, organizar e estudar, ansiamos desesperadamente por férias, mas quando estamos de férias, e por acaso até calha de ficarmos um dia inteiro em casa, em vez de aproveitarmos para fazer alguma coisa decente e interessante, ligamos o computador e acabamos por nos entreter com o que apareça à frente. Coincidência ou não, e apesar de não gostar de números e de matemáticas e de estatisticas e contas, adoro listas que ordenam e fazem um tipo de "count down". Ordenar por gostos, por preferências, por interesse, por isto, por aquilo... enfim, gosto de listas que demontram graus de importância, quer seja para o positivo quer seja para o negativo (ah, e também me apaixono facilmente por capicuas! embora os números não sejam o meu forte, lembro-me bem que quando fiz 22 anos andei o ano inteiro a espalhar aos sete ventos que tinha feito 22, uma capicua! Pensar que agora só volto a ter a idade em capicua aos 33, assusta-me e atormenta-me um bocadinho... 101 - capicua). Estava eu num desses dias fantásticos de férias, e depois de entrar em 500 mil sites diferentes, quando me deparo com esta informação: "Uma personagem de ficção é resumidamente no mundo do real qualquer pessoa, identidade ou entidade que a sua existência é originada por uma obra ou actuação fictícia. Ora, foi por aí que 3 escritores pegaram para publicar um Top de 101 personagens não-existentes que mais influenciaram o modo de ver e viver o nosso mundo. Dan Karlan, Allan Lazar e Jeremy Salter escreveram em 336 páginas uma lista onde se encontram nomes tão famosos da população. Desde os livros, cinema ou mesmo cultura popular, a obra percorre por diversas épocas e locais onde estes fictícios "existiam"":

Top 50 de 101:

1. The Marlboro Man

2. Big Brother

3. King Arthur

4. Santa Claus (Pai Natal)

5. Hamlet

6. Dr. Frankenstein's Monster

7. Siegfried

8. Sherlock Holmes

9. Romeo and Juliet

10. Dr. Jekyll e Mr. Hyde

11. Uncle Tom

12. Robin Hood

13. Jim Crow

14. Oedipus

15. Lady Chatterly

16. Ebenezer Scrooge

17. Don Quixote

18. Mickey Mouse

19. The American Cowboy

20. Prince Charming

21. Smokey Bear

22. Robinson Crusoe

23. Apollo and Dionysus

24. Odysseus

25. Nora Helmer

26. Cinderella

27. Shylock

28. Rosie the Riveter

29. Midas

30. Hester Prynne

31. The Little Engine That Could

32. Archie Bunker

33. Dracula

34. Alice in Wonderland

35. Citizen Kane

36. Faust

37. Figaro

38. Godzilla

39. Mary Richards

40. Don Juan

41. Bambi

42. William Tell

43. Barbie

44. Buffy the Vampire Slayer

45. Venus e Cupid

46. Prometheus

47. Pandora

48. G. I. Joe

49. Tarzan

50. Captain Kirk e Mr. Spock


Devo confessar que fiquei bastante agradada com o posicionamento de Romeu e Julieta (9), afinal de contas a humanidade ainda gosta de uma boa e bela história de amor Shakespeariana (foi o primeiro livro de Shakespear que li e maravilhei-me do principio ao fim), assim como a posição da Barbie (43), afinal de contas para muitos, a bonequinha loira que revolucionou o mundo dos brinquedos, continua a fazer das suas (resta saber se as pessoas que permitiram chegar a esta listagem já não tinham mais de 70 aninhos...).


P.Sawyer*

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"Vermelho paixão"


...E só foi preciso um pincel e uma lata de tinta "vermelho paixão". Era branca a parede inicialmente, branco simples, branco vulgar, branco pálido. Eram muitas as ideias e os pensamentos criativos para que o "simples" um dia se pudesse tornar "intenso" e "único". Para além do pincel e da tinta "vermelho paixão", foi preciso uma directa. Uma noite sem dormir em que a criatividade da menina estava a chamar por ela e a empurrá-la para uma realidade tão poderosa que os seus olhos não poderiam fechar sem que aquela parede transpira-se emoção, sentimento, devoção. Pintou, pintou e pintou. Pendurada num banquinho conseguiu alcançar os pontos mais altos e distantes do seu alcance. É uma menina inteligente, esforçada e que não desiste facilmente daquilo a que se propõe. O seu coração é grande como a lua, grande como a muralha da China, grande como a Torre Eiffel, grande como os Clérigos. A parede estava pintada. Talvez ainda lhe fosse dar alguns retoques, mas a base estava concluída. No entanto, a criatividade não a deixou parar. Era preciso mais. Tal como uma verdadeira artista, a menina encontrou numa parede paralela o local ideal para "construir" algo inovador. Palavras misturadas com pensamentos, letrinhas misturadas com cor, recortes misturados com dedicatórias, desenhos misturados com símbolos, frases de esperança e de confiança, frases de amor e paixão, frases de alegria e de felicidade, frases carregadas de significados multifacetados que a menina arranjou maneira de enquadrá-los no mundo real. Sim, porque a menina vive num castelo encanto e tem no portão do seu castelo dois cavalos brancos e uma carruagem cor-de-rosa... Era uma vez uma menina... que viveu feliz para sempre...

P.Sawyer*

domingo, 5 de abril de 2009

Um carro vintage com pintura "comet"


Se por segundos pensares que tudo à tua volta esta feito num "8", se por segundos imaginares que não há solução possível, se por segundos acreditares que não há alguém que te compreenda, se por segundos acreditares que tudo deixou de fazer sentido, se por segundos perceberes que o dia está a terminar e que tudo correu muito mal sem possibilidade de voltar a trás, se por segundos te deixares levar pelo sofrimento e pela tristeza que parecem não querer passar (...). Se tudo isto algum dia atormentou e não te deixou ser aquilo que querias ter sido e aquilo que querias ter vivido, acredita que há sempre uma solução: se tiveres sorte e fores loira de cabelo aos caracóis e olhos verdes, vais ter um carro vintage com pintura "comet" e com os estofos vermelhos e uma pessoa que, seja qual tenha sido a circunstância, está sempre presente para te "salvar" e proteger. E quando passares por esses dias menos bons, com pensamentos angustiantes que nos fazem sentir um verdadeiro caco, a solução é meteres-te dentro do carro vintage com pintura "comet", seguires sem destino aparente, abrires os vidros, pores a tocar a melhor música que tenhas no leitor de cd's (provavelmente qualquer coisa de Joshua Radin seria agradável) e deixares de pensar, deixares de sentir, deixares de.. tudo! Naquele momento só conta o vento, a música, tu e.. o carro vintage com pintura "comet" (e que um dia essa mesma pintura "comet" vai transformar-se num livro, uma verdadeira história de amor como se faziam e contavam antigamente, muito melhor que "Romeu e Julieta", quando menos contares.."The boy saw a comet, and saddenly his whole life had meaning.").




P.Sawyer*

sexta-feira, 3 de abril de 2009

"From the new school to the old school"


Normalmente as coisas boas aparecem sem estarmos preparados, assim numa espécie de presente pequenino (embrulhadinho em papel roxo cintilante e com um lacinho dourado perfeito no topo) que alguém nos deixa atrás da árvore de Natal e que por esquecimento fica ali a noite toda...e só quando todos já se foram deitar é que nos apercebemos que ficou esquecido, e que até era para nós. Por ter ficado esquecido torna-se inesperado e, consequentemente, o melhor presente da noite. A surpresa, nunca antes prevista nem imaginada.
Nem deveria existir introdução para "isto", mas a verdade é que torna-se tão avassalador e inesperado, que é quase impossivel descrever as reacções fisícas que temos quando recebemos uma noticia destas: PLACEBO vão regressar a Portugal, dia 10 de Julho no Passeio Maritimo de Algés - Festival Oeiras Alive 2009. Cresci a ouvir Placebo, e ao lado de muitas outras bandas (e que por acaso tive sorte de ter vivido uma adolescência repleta de música e de bandas que faziam, e continuam a fazer, algumas delas, um trabalho excelente, tornando-se símbolos de uma geração), ganhei o gosto pela "boa" música nessa mesma altura e, desde entao, não imagino a minha vida sem ouvir certos e determinados acordes. Antiquada, nunca! Orgulhosa e sortuda por ter vivido, ouvido e visto (continuo a aguardar pacientemente a vinda a Portugal dos Silverchair...) tudo aquilo que, para mim, foi fundamental na adolescência de todas as pessoas que nasceram nos anos '80. Fez parte, e continua a fazer, da nossa identidade enquanto pessoas, dos nossos gostos, das nossas fantasias, dos nossos desejos, da nossa ansiedade por sentir bem de pertinho a energia daquela banda.. daquele "movimento", das suas crenças e das suas aspirações enquanto músicos. Não se deixem enganar, por de trás de uma voz, de umas guitarras, de um baixo, de uma bateria e de um conjunto de luzes muito bem prepadas e sincronizadas está sempre um sonho. Está sempre alguém que esperou tempos infinitos pelo reconhecimento e pela visão (que não duvido ser única) de montanhas de pessoas a aplaudirem e a seguirem as suas letras. O Brian Molko pode muito bem só ver cabecinhas e bracinhos no ar, e quanto muito ouvir as nossas vozes a cantar em uníssono, mas para alguns de nós, Placebo é muito mais do que uma banda e do que músicas incriveis: é uma referência e um marco nas nossas vidas, na minha vida.
"Eles" vão regressar, não era de todo esperado, "eles" vem para promover o novo CD que vai sair em Junho (“Battle for the Sun”), e mais uma vez estarei lá. E com os mesmos olhos que os viu pela primeira vez no Coliseu do Porto em 2002, vou fazer uma super viagem ao passado. E como tão bem diz Brian Molko: "From the new school to the old school":



Bioninc: http://www.youtube.com/watch?v=K1tCW2y9OzA&feature=related

Pure Morning: http://www.youtube.com/watch?v=EhpJVBVrkoc&feature=related

Nancy Boy: http://www.youtube.com/watch?v=VPOqK9xJVQI&feature=related

36 degrees: http://www.youtube.com/watch?v=fXD9IUq9r3I

Every me and Every you: http://www.youtube.com/watch?v=0PAGb3Y2jKw

My sweet prince: http://www.youtube.com/watch?v=SYcq0znYGVk&feature=related

Without you i'm nothing: http://www.youtube.com/watch?v=DaDXB54aAV8&feature=related


P. Sawyer*

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A vantagem de andar a pé


Enquanto que para uns o engraçado da vida é apenas ir vivendo ou "sobrevivendo", sempre com queixas, problemas e ressentimentos... para outros a vida é ver muito mais para além do óbvio.
Como em tudo no mundo, encontramos facilmente vantagens e desvantagens (e para aqueles que partilham comigo o gosto pela Psicologia e pelas respectivas ciências humanas e sociais, sabem bem ao que me refiro). Não são unânimes quando têm de ser apontadas (tanto as vantagens como as desvantagens), mas quando temos a sorte de fundamentar a nossa opinião da melhor maneira (normalmente, aquela "maniera" que o Sr. Dr. Professor tanto desejava ouvir), caimos nas graças da sabedoria e ouvimos um "muito bem" ou um "muito pertinente a sua observação" ou um "exactamente". Tanto paleio para chegar ao ponto em que digo: andar a pé, tem muitas vantagens (para mim são mais desvantagens que vantagens mas... watherver!). Quando andamos a pé porque queremos, acho fantastico, mas quando andamos contrariados, a história não é a mesma. Na 6ª feira passada andei a pé contrariada, porque tive de ir a um colóquio (contrariada) e porque tive de me levantar cedissímo quando normalmente acordo à 1h da tarde. Manhã de neura. Lógico. Mas... quando estamos mais desesperados e mais contrariados, é mesmo quando nos aparecem coisas "do outro mundo" ou no mínimo "inesperadas" à nossa frente. Coisas essas que se não fossemos a pé nunca dariamos o mesmo valor, e provavelmente nem nos apercebiamos de nada (a vantagem de andar a pé). Nós só vemos nos filmes, e normalmente naqueles mesmo muito lamechas e cheios de amor por todos os lados e pronto... filmes de domingo à tarde! Na minha direcção vinha uma rapaz a correr com um ramo de flores na mão (cheiinho de cores o ramo), só quando o vi mais próximo é que me apercebi que era um ramo de flores que trazia na mão. De repente parou, já bem mais próximo de mim, tocou à campainha de um prédio e ficou ali à espera que alguém lhe abrisse a porta. Estava com uma cara normalissima, embora viesse a correr tipo tolinho. Não sei dizer se aquilo era um acto de amor, se era uma tentativa de pedir perdão, se era para se desculpar, se era um simples "bom dia", se era um carinho, se era um pedido ou se era uma prova de qualquer coisa... o que é certo é que a subjectividade dos actos que a vida nos proporciona ( nos deixa observar), é um exercicio fantastico para contrariarmos a nossa indisposição. Fiquei burra. E se tivesse tido tempo tinha ficado num cantinho a ver como seria o final do "rapaz e do ramo de flores colorido"!
A vida é para ser vivida nunca com o contentamento do óbvio, e por isso mesmo, nunca se deixem enganar pela simplicidade de um título de um post... "nem tudo o que parece, é".

P.Sawyer*

segunda-feira, 30 de março de 2009

Chega o "suposto" calor e...

Pois bem, chega o "suposto" calor e há pequenas coisinhas que se tornam apetecíveis, apreciáveis e ainda mais desejáveis do que no Inverno. Os oculos de sol começam a fazer sentido, as t-shirts começam a fazer sentido, os casaquinhos de malha começam a fazer sentido, o ar condicionado começa a fazer sentido, as pulseiras e os colares começam a fazer sentido, o ice tea de pêssego começa a fazer sentido, as havaianas começam a fazer sentido (vá.. nem tanto por agora, mas é sempre bom imaginar o Agosto em pleno Março. Faz-nos bem à alma e à nossa sanidade mental). Adoro pormenores, e vivo-os de forma ainda mais intensa que os minutos que vão passando no dia-a-dia e que, aparentemente, parecem apenas fazer parte de uma rotina. As pequeninas coisas fazem a diferença, e os pormenores fazem-nos acreditar nessa mesma diferença. E é tão fácil aprendermos e crescermos mais um bocadinho enquanto pessoas com esses pormenores. Há que sabe-los aproveitar ao máximo e tirar partido de todas as reflexões que nos proporcionam. E ao som de "Nada Surf" - "the film did not go 'round" apetece-me partilhar que é inevitável não sorrir com o pormenor mais "pormenor" quando o calor, e o respectivo sol, resolvem aparecer: o "cheiro" caracteristico de quando os carros apanham solzinho durante o tempo todo que estão estacionados e ficam quentinhos. Abrimos o carro, sentamo-nos, e antes sequer de ligar o motor.. inspiro, expiro e sorriu. Regressou o melhor do calor quando entramos para dentro de um carro e quando nos espera um dia completamente incerto e cheiinho de obrigações pela frente. Não sei bem caracterizar aquilo que realmente me fascina quando estou em pleno ritual do "cheiro de calor" dentro do carro, mas posso adiantar que é uma mistura de cheirinho de melões e borracha, de morangos e plástico, de cenoura e pneus, de canela e gasolina.. banalidades, provavelmente, mas apenas para quem não as vive. Calor é cheirinho de carro estacionado ao sol. Cheirinho de carro estacionado ao sol para mim é felicidade. Felicidade para mim é sorrir quando aparece o cheirinho do carro ao sol e mandar uma msg automática ao cérebro: as férias de Verão estão para breve..



P.Sawyer*

terça-feira, 24 de março de 2009

Já não se morre de amor (?)

"Era Verão e as férias tinham começado há uma semana. Como sempre, estava na Nazaré, na casa da minha avó. Este ano ia ser diferente. Tinha feito 17 anos há poucos dias e, finalmente, ia poder sair à noite com as minhas primas e os amigos. Na praia fazíamos as parvoíces do costume: jogar raquetas, piscar os olhos aos rapazes, contar anedotas, comer gelados. O Paulo era mesmo muito giro. Tinha 19 anos e olhos verdes. Sei lá porquê, foi a mim que escolheu e eu ia morrendo derretida quando ele me perguntou ao ouvido: Queres namorar comigo?, como nos filmes antigos e nas novelas… Não era só uma paixão de Verão. O Paulo dizia isso todos os dias e, quando as férias acabaram e cada um voltou para sua casa, escrevíamos, telefonávamos e, fim-de-semana sim, fim-de-semana não, viajávamos 60 km para nos encontrarmos.Eu era virgem. Ao fim de 4 meses de namoro já tínhamos “avançado” tanto que resolvi tomar a pílula. Claro que sabíamos que não podíamos ter um bebé!Fizemos amor 3 vezes. Começaram os exames, o Paulo tinha muito que estudar, cada vez tínhamos menos contacto. Comecei a sentir-me estranha: tinha náuseas, um pouco de febre, estava sempre indisposta. Fui ao médico, fiz um teste para saber se estava grávida. Não, não estava. O Paulo telefonou. Tínhamos que falar, ele tinha feito as pazes com a ex-namorada, era uma história complicada, tinham namorado 2 anos, terminaram, andaram com outras pessoas, voltaram, blá, blá, blá…O Verão acabou definitivamente. E não houve Outono. A transição foi de 40 à sombra aí para uns 10 negativos. Pensava que todo este desconforto físico que sentia tinha a ver com a devastação emocional provocada pela perda. As minhas amigas diziam que já não se morre de amor. Não é verdade. Tenho 32 anos e estou a morrer. De SIDA ou de amor, agora já tanto faz…”

@Revista Visão



P. Sawyer*

sexta-feira, 20 de março de 2009

Viver na altura das fadas...

Quem não recorda a sua infância com alguma nostalgia (positiva, claro..) e tamanha alegria, definitivamente não pode ser considerada uma pessoa feliz. Pelo menos, é a ideia que tenho. Até porque a vida faz-se de trás para a frente, logo, as nossas raizes e as nossas experiências quando tinhamos 4 ou 5 anos são tão importantes como aquelas que temos aos 20, 22, 24 anos (quando temos a mania que ja sabemos tudo o que há para saber e que somos muito adultos.. pois..). E as nossas recordações dessa vida que parece tão distante, surgem quando menos contamos, é um facto. Todos deveriamos ter tido a oportunidade de viver na altura das fadas, na altura da colecção de livros da Anita, na altura das colecções das Barbies, das colecções das "Barriguitas", das colecções dos Pequenos Póneis, dos Playmobil e das Polly Pockets. Era tudo tão mágico e encantado, e tenho a certeza que se ainda perdessemos algum tempo a brincar com as nossas Barbies, passariamos melhor alguns minutos em vez de os desperdiçar com banalidades. Nascer em '84 teve essa vantagem. Nascemos na era das Barbies e dos Nenucos, na era em que os bonecos começaram a fazer xixi e a dizer "mamã", se carregassemos com força na mãozinha esquerda. E quem não delirava com uma lancheira da Barbie e com as super sapatilhas que davam luz ou, por exemplo, com o castelo cor-de-rosa que abria e fechava? Quem não delirava com as fitinhas de pôr no cabelo da Barbie e com as meias (sempre cor-se-rosas..) da Barbie? T-shirts, calças de ganga, chapeuzinhos, relógios, enfim.. Impossivel não termos passado pela febre de "ter de ter" tudo o que tinha o fantástico e cintilante "B", tão bem trabalhado e chamativo. Admito, a minha mãe sofreu horrores comigo às custas da Barbie e tudo o que lhe estava inerente. Para viver no mundo das fadas também é preciso ter tido a sorte suficiente para ter uma professora primária que adorava tudo o que fosse literatura, e por isso mesmo, termos tido contacto desde muito novinhos com quase todos os livros da Sophia de Mello Breyner Andersen. Entrar nas suas histórias era realmente entrar nesse tal mundo fantasioso, e acreditem que se "hoje" pegarmos num desses livros, damos ainda mais valor. Entendemos melhor, lemos com olhos de "ler", fazemos e tiramos as nossas próprias conlusões, percebemos as metáforas, entendemos o sentido das palavras de outra forma. Quem nunca leu "A Fada Oriana", "O Rapaz de Bronze", "A Floresta" ou "A Menina do Mar" pela segunda vez, mas agora com mais 16 ou 17 anos em cima, não sabe o momento de pura vivência na altura das fadas que está a perder. Ah, e mencionado como surgiram estas recordações do tal tempo que parece perdido no "tempo": decidi ler (e reler) "O Cavaleiro da Dinamarca".


P. Sawyer*

domingo, 15 de março de 2009

Em tempos...

Em tempos, disseram-me: "Porquê não arriscar ser feliz..?, porquê trocar, em vez de conjugar..?, porquê andar, quando se pode voar..?, porquê pensar, quando se pode amar..?"
Nos dias que correm, digo: obrigado! obrigado pela luta, obrigado por nunca deixares de acreditar, obrigado pelo esforço, obrigado pelo conforto, obrigado pelo carinho, obrigado pela ternura, obrigado por me teres dado o teu coração, obrigado pelo encanto, obrigado pelo "sonho", obrigado pela força, obrigado pelos braços sempre abertos, obrigado pela mão que nunca deixou de estar estendida na minha direcção, obrigado pelo OC, obrigado pela pizza de bacon da telepizza, obrigado pela fantasia de "New Port Beach", obrigado pelos Simpsons logo de manhãzinha em Agosto, obrigado pelos rolinhos de chocolate, obrigado pelo OTH, obrigado pelo sorriso, obrigado pela paz, obrigado pela estabilidade, obrigado pela paciência, obrigado pelo som da tua voz, obrigado pela tua gargalhada, obrigado pela amizade, obrigado por seres o meu "comet", obrigado pela inspiração, obrigado pela vontade de querer ser feliz (e de ser feliz), obrigado pelo abraço forte e confiante, obrigado pelas palavras, obrigado pelos momentos, obrigado pela alegria, obrigado pelo sol, obrigado pela atenção, obrigado pela disponibilidade, obrigado pelos afectos, obrigado por seres um Lucas Scott, obrigado por te conseguir rever em todos os pormenores da minha vida... obrigado... por tanto mais e ao mesmo tempo por tão pouco. A simplicidade do acto de dar e receber sem pedir nada em troca é, realmente, absolutamente fascinante. Obrigado...

P. Sawyer*

sábado, 14 de março de 2009

Maçãs e Aparelho Fixo nos dentes

Há muitas coisas que, puramente por instinto e senso comum, sabemos muito bem que não combinam. Não ligam bem, não ficam bem juntas, são assim como se fossem os piores inimigos do mundo. Para ser mais simples visualizar: azeite com água, nem sequer se misturam. Apanhar uma valente gripe precisamente no momento em que entramos numa maravilhosa semaninha de férias, portanto, férias e gripe, também não combinam. Criança e loja com cristais, um perigo autêntico. T-shirt branca e molho de tomate, perfeito! Um computadorzinho e uma ilha completamente deserta sem qualquer energia, gravidez e tabaco e, ainda, sapatos apertados e joanetes! Isto tudo são "suponhamos". Existem acções bem simples do nosso dia-a-dia, que pessoas bem reais encontram-se desesperadas e em sofrimento para as conseguir fazer. Sendo, por isso mesmo, os piores inimigos do mundo. E para quem ja passou por isso, não deve ser dificil recordar, para quem nunca passou (sortudos!), é fácil criar uma visualização mental. Maçãs e Aparelho Fixo nos dentes. Primeiro ponto, é impossivel tricar a linda maçã vermelhinha e suculenta como se estivessemos num verdadeiro anuncio publicitário. Esqueçam. Para além das dores, a linda e cintilante estrutura metalica desfazia-se, nem força existe para conseguir dar uma dentada dessas. Segundo ponto, o acto de mastigar uma maçã agora é uma arte.. lentamente, calmamente, e suavemente para que nenhum pedacinho de casca se entale no meio dos ferrinhos. E o segredo é: descascar a maçã em pequenissimos cubinhos e alimentarmo-nos como os bebés, demorando desta forma, 40 minutinhos a comer uma maçã (que no passado, nuns 10 minutos já não existia maçã para ninguem). As mais simples das acções, ficam condicionadas pelo "metal" (e não, "metal" não é "kizomba"!). Os meus pêsames, Guida. Mas como acabaste de perceber, o teu alimento nocturno inspirou-me, vês?


P. Sawyer*

sexta-feira, 13 de março de 2009

Hoje...

...decidimos ir almoçar à "Império";

...acabamos por ir almoçar à batalha e comer um belo de um hamburguer (e uma omolete mista para a Fizinha) na companhia do sol e de ice tea's (de pêssego e de limão);

...tinhamos uma bússola humana (obrigado, joaninha..) que nos levou aos mais escondidos cantinhos da baixa do Porto;

...maravilhamo-nos com os encantos da livraria Lello (e a Fi entrou em coma de felicidade no mesmo instante em que pisou o primeiro taco de madeira);

...encantadas, continuamos, e fomos à exposição que celebra o bicentenário do nascimento do naturalista inglês Charles Darwin;

...pensamos em subir a torre dos Clérigos, mas logo na entradinha, perdemos a vontade, enfim... pormenores!;

...próxima paragem: Il Caffè di Roma, óptimo;

..."perdemos" um elemento da equipa que teve de ir apanhar o comboio, mas o dia estava longe de terminar: fomos até à Ribeira, logicamente;

...depois de muito sol e de muito andar a pé, está na hora de ir buscar o carro e não, não apanhar o metro e ir para Gaia confortavelmente, afinal de contas, para quem passou o dia todo nisto, porque não ir a pé até à avenida? Claro que vou passar a ponte D.Luis a pé!;

...terminamos a conversar sobre coisas banais "penduradas" na ponte (e que bem que soube, joaninha!);

...atravessei a ponte sozinha, com o pôr de sol do meu lado direito, e nunca me tinha apercebido que bonito é ter o pivilégio de o poder fazer: no final de contas, vivemos numa grande cidade.



Hoje... descobrimos mais um bocadinho, amanhã vamos descobrir o resto do mundo.

P. Sawyer*