segunda-feira, 29 de junho de 2009

Zen


Um dia ainda hei-de ir para uma montanha daquelas super monstras e poderosas, rodeadas por monges com vestimentas cor-de-laranja e carequinhas. Não gosto de dar nomes, gosto de fantasiar, mas para que o enquadramento visual seja maior, qualquer coisa do género do filme "Sete anos no Tibete" (e quem nunca teve a oportunidade de ver esse filme, que eu dúvido que ainda exista alguém que nunca viu, não sabe o deslumbramento de imagens, cores e culturas que está a perder). Quero ir atrás daquilo a que chamam o estado Zen. E que maravilhoso seria conseguir experimentar a realidade directamente, conseguindo para isso desapegar-me de palavras, conceitos e discursos. E, para desapegar-me disso, o fundamental é meditar. Por isso, aquilo a que se designa "zazen" ("meditação sentada") é a prática fundamental do Zen. Através da respiração e do bloqueamento de ideias consegue-se, pura e simplesmente, deixar de pensar. Isto intriga-me de tal maneira que nem queiram saber! É que se formos a ver bem, nós estamos constantemente a pensar, estamos constamente em alerta, a nossa cabeça não pára. E de repente, vêm uns senhores todos vestidos de igual falar em "respiração controlada", em nirvanas, em poderes da concentração, em posturas de meio lótus, em posturas burmanesas, etc, etc. Adoro. Basta ler um pouquinho sobre os seus seguidores e fica-se automáticamente deslumbrada. Até porque o Zen é tido como um estilo de vida, e não apenas como um conjunto de práticas ou um estado de consciência. E desenganem-se aqueles que pensam que em Portugal não há seguidores. A montanha para mim é a minha cama. E o meu estado Zen é atingido quando estou a jogar compulsivamente Game Boy, normalmente o "Super Mario Land". Gosto do som de quando apanha aqueles cogumelhos mágicos e quando dá cabeçadas naqueles quadradinhos e saem moedas para apanharmos. Só vale se estiver a jogar com som, senão lá se vai o equilibrio da respiração. Podemos criar os nossos próprios estados de relaxamento. Embora gostasse muito mais da perspectiva dos templos e dos monges, o meu quarto, o meu candeeiro e o meu Game Boy parece-me perfeito. Por enquanto, pelo menos...

P.Sawyer*

sexta-feira, 26 de junho de 2009

"Cadê o sol, galera??!!??"

Como é possivel passar um fim-de-semana espectacular, com um calor abrasador e uma praiinha maravilhosa, que apesar da água estar um gelo, vale tudo para arrefecer o corpo e a alma (que talvez seja a que mais precisa de um bom arrefecimento..) e agora abrir a janela e ver nuvens, e mais nuvens e mais nuvens?!? É por isso que depois anda tudo com depressões. Não acho nada bonito querer ir desfrutar de um belo ice tea de pêssego e do solzinho a que temos direito nesta altura do ano e, em vez disso, ter de ir atrás de uma esplanada que até tem protecções laterais contra o vento. E se for possivel, guarda-sois para proteger das gaivotas e das pombas menos simpáticas. Entristece-me. Mas também, o que é que isso importa. Ultimamente muitas coisas me entristecem, e muito, e sou obrigada a acordar todos os dias e a adormecer com os mesmos "entristecimentos". Nem o S.João, com tanta festa e fulia que é feita em torno so santinho, nos ajuda. Tanta martelada, tanto fogo de artificio, tanto bailarico e tanta animação para quê? Para depois nem "esse" ser capaz de nos presentear com um bocadinho de sol. Este ano correu bem, ainda conseguimos ver a Sé toda iluminada pelo suposto fogo..suposto, porque vê-lo, não me lembro! Lembro-me bem é das dores nos pés, nas pernas e nas costas. Sim, eu sou daquelas que se queixar por tudo e por nada e para ainda acrescentar à situação, não sou fã de sardinhas. Sou fã de broa de Avintes, de azeitonas e de pimentos. E gosto de beber coca-cola por uma palhinha e de ver brasileiras com aspecto duvidoso em cima de um palco a acompanharem a musiquinha com danças ainda mais duvidosas. Não me agrada aqueles martelos mais pequeninos que magoam, e bem, as nossas cabeças.

Este video sim, faz sorrir e dizer "não" à depressão quando se olha para a janela e se pergunta "cadê o sol, galera"??!!??



P.Sawyer*

terça-feira, 23 de junho de 2009

História trágica com final feliz

Não são preciso palavras, apenas uma maravilhosa história trágica com final feliz.



P.Sawyer*

quinta-feira, 18 de junho de 2009

"O Mural" e "Dulcineia"

Sem dúvida que uma imagem vale por mil palavras. Conheço várias formas de arte e são inumeras as maneiras em que se pode encontrar uma boa forma de arte e de expressão de sentimentos e de criatividade. Algumas pessoas acabam por se dedicar a outras áreas e a sua "veia artistica" é colocada em segundo plano, pode estar mais calma, mas nunca desaparece e nunca adormece. Tenho andado a "aprender" e a observar de perto os meandros dessa capacidade e desse "dom" com uma pessoa por quem tenho o maior dos orgulhos e a maior das amizades. Aos meus olhos és Arte! Pumba: homenagem merecida! (um dia os teus rasgos de emoções vão estar expostos na Tate Modern, i´m sure!!!). "O Mural", by Fi. Quero muito convencer o 'Mac a ir para a rua de sta.catarina fazer um showcase ao ar livre (onde haveria de ser..) a ver se é mesmo real aquele estudo que andaram a fazer! Ainda não consegui persuadi-lo em condições e demonstrar-lhe que também é uma forma de arte gratuita a que todos os habitantes e turistas devem ter acesso pelas ruas e ruelas do Porto. Basicamente, juntaram-se um grupo de investigadores (entre eles a tão reconhecida classe dos psicólogos) e puseram um rapazito normalíssimo a pedir dinheiro: um cesto a pedir dinheiro para um hipod novo, um cesto a pedir dinheiro para uma viagem e outro a pedir dinheiro para outra coisa qualquer que na altura estava a precisar. E não é que as pessoas aderiram à brincadeira e o rapazinho saiu de lá ao final do dia carregado de dinheiro?!? Enquanto que o mendigo que estava na rua ao lado poucas moedinhas conseguiu, para não fugir muito à regra. Ser honestos continua a ser uma arma letal. Adorei saber. E muito mais do que o conhecimento de tal experiência maluca (mas com uns resultados muito engraçados e inéditos), deu-me umas ideias fantásticas. Vou fazer de estátua dourada para Sta. Catarina durante a semana e depois ao fim de semana vou cantar e encantar para a Praça D. João I. Ah, e o meu nome artístico vai ser "Dulcineia". E tudo porquê? Porque a Arte está em todo lado e formas e conceitos e maneiras e expressões e personificações e... olha, é bonito de saber e de se ver!

P.Saywer*

terça-feira, 16 de junho de 2009

"Nonsense"

"Tu é que te picas com sonasol liquido"... mas o que é certo é q hoje é um dia muito importante, comprei o ticket que me vai levar ao passeio maritimo de algés para me rejubilar. E mais não digo, até porque a realidade é so uma: Placebo, Lisboa, Oeiras Alive, 10 de Julho. Infelizes daqueles que não vão poder maravilhar-se (tentei dramatizar e criar um ambiente retro-vanguardista neo-zelandês, mas só me saem coisas "Alice in chains"!! O meu cérebro congelou e voltou a descongelar muito rápidamente, mas realmente era Alice in chains, a banda que me faltava dizer hoje de tarde enquanto vangluriava o meu vasto conhecimento e gosto pelo movimento Grunge. O meu preferido, sem dúvida. Um dia ainda hei de ir a Seattle. Bush, Pearl Jam, Silverchair, Temple of the Dog, Stone Temple Pilots, Nirvana, Puddle od Mudd, e tal e tal e tal..). "Inspira-te, pensa roxo." Tau! Bilhete para o Alive dia 10 de Julho: meu! Placebooooooooooooooooooooooooo! (ah, e ja me ia esquecendo de mencionar: ontem, na rua de sta. Catarina, uma gaivota deixou me um "presente" branco e mal cheiroso nas calças, no cabelo, na carteira e deixou o cabelo da andreeinha a cheirar a peixe. Nada de mais, portanto.. normalissimo! Quero mais dias como o de ontem, por favor). Não estou bêbeda, nem com sono, nem sobre o efeito de sonasol liquido, nem andei a cheirar nosmuscada nem bolinhas de naftalina. Estou "eu" numa versão muito "nonsense", mas sempre feliz por estar contente no expoente máximo da parvoice. Obrigado aos mais atentos.



P.Sawyer*

quinta-feira, 11 de junho de 2009

"Bed Time Stories"

Tenho uma paixão muito grande: All-Stars! Conheço muitas pessoas que partilham do mesmo gosto e da mesma loucura pelas sapatilhas como eu. Em tempos, tinha eu 12 anos, tinha de ter um par de cada côr para combinar com tudo aquilo que vestia. Se soubesse o que sei hoje, tinha guardado essas reliquias numa espécie de santuário para depois (nesta altura..) pode-las idolatrar (até porque calçá-las muito provavelmente seria impossivél... talvez à marta o 33 ainda lhe servi-se muito bem, quem sabe até ficava com uma pequenina folga! Desculpa estar a partilhar, mas sabes muito bem o quanto ridículo é o número que calças para uma pessoa que tem 26 anos... mas continuo a adorar os teus dedos do tamanho de dedos de anões que tantos pesadelos já me causaram!!). É impressionante que já me passaram mil uma coisas pela cabeça que, lógicamente, teriam de ser partilhadas com all-stars à mistura senão não tinha a mesma piada. Quanto mais velhas, rasgadas, toras, esburacadas, rossadas e coçadas mlelhor. Quanto mais marcas do tempo tiverem, melhor. Quanto mais chuva entrar pelas all-stars, melhor (sim, porque pessoa apanhada, que é pessoa "apanhada", até no pior dia de inverno sai de all-stars nos pés!). E qual é o meu espanto quando surge uma ideia diante dos meus olhos que nunca me tinha passado pela cabeça: viver dentro de uma all-star! Assim uma all-star gigante, gigantona mesmo, que fosse uma casa. Em vez de se morar numa casa completamente convencional, mandar construir uma casa em formato de all-star. Nem consigo descrever o quanto me maravilhei com tamanha irrealidade. E para perceberem que não estou completamente consumida pela estupidez, por favor, vejam os primeiros minutos do filme "Bed Time Stories". Ontem em 10 segundos de filme, o conceito das all-star foi reenventado na minha cabeça, e se já tinha tanta importância e gerava tanta dependência em mim, agora elevou-se ainda mais. Vamos ser progressistas e exigir uma cidade em que se possa construir casas com o formato de uma all-star!! E a cidade poderia chamar-se Converse, seria perfeito! Vamos, vamos, vamos.. posso escolher "as paredes" exteriores com a minha cor preferida de sempre, sempre fiel: all-stars vermelhas, allways!

(estou de verar incomodada, nunca antes escrevi "all-stars" tantas vezes seguidas... adorei! Fascinam-me as coisas simples.)

P.Sawyer*

sábado, 6 de junho de 2009

Odiar é fácil...


...comer puré é bem mais complicado;
...levantar cedo num dia frio de inverno é bem mais complicado;
...tomar medicamentos de capsulas gigantes é bem mais complicado;
...não ter mais episódios novos de OTH para ver é bem mais complicado;
...ter de estudar coisas com as quais não concordamos nem um bocadinho é bem mais complicado;
...ter de dizer "não" quando se quer dizer "sim" é bem mais complicado;
...ter de ouvir um "não" quando se quer ouvir um "sim" é bem mais complicado;
...ter de estar numa sala de espera é bem mais complicado;
...ver filmes na primeira fila da sala de cinema é bem mais complicado;
...comer massa aquecida no micro-ondas é bem mais complicado;
...partir uma unha enquanto se está a jogar bowling é bem mais complicado;
...ter de gramar a musiquinha da Lady Gaga ("pocker face") é bem mais complicado;
...manter-me acordada para ver um filme depois de jantar é bem mais complicado;
...não berrar é bem mais complicado;
...ter de dizer "até um dia destes" é bem mais complicado;
...não ter lenços na carteira quando se está constipada é bem mais complicado;
...gostar é bem mais complicado!

P.Sawyer*

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Engodo dos Medos


É rodeados do engodo dos medos que as nossas fraquezas sobressaem. Se não fossem as palavras, quer seja de forma verbal, quer seja de forma escrita, como poderiamos ultrapassar essas fraquezas? Um gesto não chega, um pensamento muito menos, um retiro espiritual nem pensar, uma longa caminha só serve para contar as pedrinhas que vamos pontapeando enquanto arrastamos os pés e a música ajuda a que o engodo seja ainda mais profundo e depressivo, até porque nesse preciso momento, vamos saber escolher pormenorizadamente a musiquinha mais depressiva que encontrarmos no mp3. Essas fraquezas também servem para nos conhecermos melhor e para que o erguer da queda não seja tão violento como a própria queda em si. Escolher enfrentar as fraquezas é uma opção, mas torná-las qualidades é realmente de génio. E nessa altura so sobra um caminho: crescer. E havemos de ter 30, 40, 50 anos e vamos ter de continuar a "crescer", até porque o verdadeiro engodo dos medos só termina na altura que deixamos de estar vivos. Viver é uma aventura constante e uma tomada de decisões permanente, até nos medos que escolhemos ter. Sim, escolhemos os medos, tendo em conta que apenas valorizamos aquilo que tem importância para nós, e os medos para mim são a valorização de uma determinada situação. Sempre positiva, porque ter medo é uma demonstração positiva de recear algo com consequências. E lá voltamos à velha história da tomada de decisões: hipóteses, consequências, finalidades. A matemática sempre foi uma das minha fraqueza. Mas tenho um amuleto da sorte, não vá o diabo tece-las!

P.Sawyer*

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Fome


Ter fome é inacreditável. Para além das reacções orgânicas e biológicas que provoca a fome por todo o nosso corpo (especial enfoque para a desgraçada da barriguinha que farta-se de fazer barulho a pedir socorro) também é de louvar a fascinante resistência do ser humano para enganá-la. É por isso q a nossa cabecinha é muito mais poderosa do que, aquele que dizem ser o orgão que nos matem vivos, o nosso coração. Tudo tretas! A informação do suposto "ter fome" chega a onde? À cabecinha. E se não comermos o que é que acontece mais cedo ou mais tarde? Caput! E outra coisa gira é o facto de toda a gente, malta que tem a mania que morre por amor e que é muito apaixonada, dizerem que o senhor coração comanda as hostes dos sentimentos, da paixão e do encantamento pelo outro. Está tudo na nossa cabecinha, e por mais irracional que se seja, continua a ser a cabeça a controlar todos os movimentos, todos os comportamentos e todos os sentimentos. A imagem do "coração" alicerçada ao sentimento é meramente figurativa, até porque convenhamos, um coração "verdadeiro" é tudo menos bonito, palpitante e cintilante e com formas perfeitas e regulares (que pessoa racional e calculista.. uhhh, que medo!). Mantem-nos vivos, é importantíssimos para que o sangue seja bem bombeado pelo corpinho todo, mas as informações importantes de "ajuda" vão todas ter ao cérebro. "Cabecinha para que te quero...!" (adoro esta expressão, esta adoro mesmo!). Comer é essêncial para que tudo funcione à maneira aqui com o nosso cabide humano, e ter fome e não comer é exactamente a mesma coisa que ver One tree Hill e não ter Lucas nem Peyton (amiguinha brasileira, creio que vamos ter más noticias para a season 7, querem mandar embora o Lucas e se o Lucas for embora, a Peyton também não continua na série). Aqui em Portugal nunca passou esta série, mas adianto que para quem adorou O.C., One Tree Hill é de devorar 5 episódios por dia, seguidinhos. Tudo tem um fim, e esta série não é excepção. Odeio mudanças, odeio ter de me habituar a coisas novas e rotinas novas e a deixar de ter aquela "coisinha certa" que me alimenta um sorriso enorme sempre que ligo o leitor de DVD's portátil. Portanto, é favor começarem imediatamente a gravar os novos episódios da season 7. Também temos os nossos direitos e exigimos OTH de volta com urgência, certo, Carolina? E se tivessemos 2 aninhos, o mais provável seria dizer que a nossa cabecinha é uma espécie de Fada Sininho que anda sempre de um lado po outro a chamar-nos atenção das mil e uma coisas que vão aparecendo e que, por vezes, tão subtilmente vamos tentando dar a volta (como é o caso da fome). E a fome também nos deixa num estado tal, que de repente até passamos a gostar e a desejar comer coisas que nem gostamos... e é isso que eu adoro na fome, o poder de ilusão e da alucinação constante por comida. Às páginas tantas damos por nós a imaginar um banquete divinal, cheio de cores, bolachas de manteiga, palitinhos de chocolate, bolinhos de areia, goffres, frutas, sobremesas, sim... muitas sobremesas! Creio ainda não ter mencionado que estou esfomeada neste preciso momento... estou mesmo.

P.Sawyer*

terça-feira, 26 de maio de 2009

O Aplauso


Dizem, sábiamente, que a nossa linguagem não verbal por vezes diz muito mais que as nossas palavras (tão inutilmente utilizadas, por vezes). E de todas as formas e maneiras de nos expressarmos visualmente e corporalmente, a minha preferida é sem dúvida uma boa salva de palmas, isto é, o aplauso. E um aplauso bem analisado tem muito que se lhe diga. Por isso mesmo é importante ir buscar-lhe as raizes: de acordo com uma das teorias mais bizarras, o aplauso teria surgido entre os homens das cavernas como forma de comemorar caçadas bem-sucedidas. A princípio, os nossos antepassados celebrariam o banquete dando cabeçadas uns nos outros, até que, finalmente, alguma alminha iluminada, cansada dos galos na cabeça, sugeriu a troca da dolorosa celebração. A versão mais plausível, contudo, aponta que o surgimento do aplauso, ocorrido há cerca de 3 mil anos, teria conotação religiosa, ou seja, seria o instrumento usado por membros de tribos pagãs para chamar a atenção dos deuses nos rituais. Mais tarde, na Grécia antiga, a plateia de espetáculos teatrais passou a usar as palmas para invocar os espíritos protetores das artes. Já no Império Romano, o gesto começou a ser utilizado também como sinal de aprovação a autoridades que faziam aparições públicas. Por volta do século XVIII, os franceses inventaram a claque teatral: grupo de pessoas previamente contratadas por um artista espertalhão para aplaudir o seu espectáculo. Mas nem sempre um aplauso é sinônimo de elogio. Com o tempo, as palmas ganharam significados bem variados. E agora vem a parte mais interessante disto tudo. Bater palmas lenta e sincronizadamente: é um sinal irônico para mostrar a desaprovação ao espectáculo. Bater palmas de forma crescente: é a maneira de “avisar” um artista atrasadíssimo que está mais do que na hora de começar o concerto (e quem nunca passou por isto.. que maravilha!). Bater os dedos de uma mão contra a palma da outra: é outra forma sarcástica de aplauso. Estalar o polegar e o dedo médio: em ambientes refinados (muito LOL) é considerado um modo mais elegante de aplaudir (e eu até descobri há pouco tempo, enquanto via na eurosport aqueles fantásticos tornerio de snoker, e apenas como passagem para o inicio da transmissão de Roland Garros, que os espectadores andavam todos aos estalinhos...até ter uma conversa séria com o meu irmão, continuei a acreditar que eles estavam a afastar abelhas! Amei saber!).
Não deve ter sido a primeira vez que bati palmas na vida, até porque ja tinha os meus 6 aninhos na altura, mas ficou-me bem viva e gravada a memória de quano bati palmas de "alegria" (e de forma consciente) pela primeira vez: tinha entrado um menino novo para a nossa turma, e bastou atravessar a porta grande e branca que dividia o corredor da sala de aulas, para receber o maior dos aplausos. O meu foi sentido e de alegria. E tinha eu 6 aninhos...


P.Saywer*

domingo, 24 de maio de 2009

"Cada um é como cada qual"


"Cada um é como cada qual!" (odeio esta expressão e abomino ainda mais as pessoas que pensam que ao utilizá-la estão a prestar provas da sua inteligência popular). Mas, num extremo muito "extremo" dos "extremos"... efectivamente, "cada um é como cada qual" e contra isso não há muito a dizer. Todos temos as nossas manias, as nossas particularidades (e peculiaridades), as nossas teimosias e os nossos hábitos. E, a cima de tudo, há que saber respeitar e saber conviver com todas essas caracteristicas do próximo, ou não fosse isso o princípio chave do tão aclamado e amado "viver em comunidade" (adoro clichés, fazem me rir ás gargalhadas. E para aqueles que estão menos actualizados, até já existe "O livro dos Clichés". Fantástico!). Há uns dias estava a jantar e comecei a pensar na minhas manias na forma como me alimento. Não tem nada a ver com os alimentos que como até porque ai sou exactamente igual a tudo e a todos. Ao que me referia é a forma de ingerir os alimentos, e é fácil perceber se colocar algumas questões aleatórias: alguma vez nesta vida alguém foi buscar uma azeitona ao pratinho com um garfo? EU! Quem é que come pizza de faca e garfo, e sempre a começar pela massa e pelos cantos? EU! Quem é que come churrasco de faca e garfo? EU! Quem é que descasca camarões de faca e garfo? EU! E existem tantas coisas que até tenho vergonha de expôr...! Mas a das azeitonas é uma máximo. E tudo isto tem de ter uma explicação, e a única coisa que me vem à mente é o facto de quando era pequenina nunca me ter dado muito bem com o mexer em plasticina, em cola, em areia, em terra ou em lama. Enfim, todas as crianças têm essa paranoia de adorar mexer e remexer em tudo o que é mole e especialmente porco e a cheirar mal. Nesse aspecto sempre fui muito "menininha". Detestava sujar-me e muito menos andar a brincar com substâncias com texturas duvidosas. Ás contas da minha selectividade do brinquedo a escolher quando tinha 4 aninhos e um mundo à minha volta para explorar, hoje tiro as azeitonas dos pratinhos com um garfo. Podia ter sido bem pior, mas nunca fiando: "Cada um é como cada qual"!


P.Saywer*

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Mónica, 8 anos


"Quando a minha avó ficou com artrites , não se podia dobrar para pintar as unhas dos pés. Portanto, o meu avô fez sempre isso por ela, mesmo quando ele também apanhou artrite nas mãos. Isso é amor." - Mónica, 8 anos.

É por estas e por outras que tenho a certeza absoluta que vou ser uma pessoa 100% realizada profissionalmente e que não alteraria um milimetro as perspectivas de futuro que tenho para mim e as metas que quero alcançar dentro da psicologia educacional. Obrigado por me deixares de boca aberta com as tuas descobertas, 'Mac!


P. Saywer*

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Altair


A formiga tem uma vida curta. O lenço de papel tem uma vida curta. A pasta dos dentes tem uma vida curta. O protector solar tem uma vida curta. O caracol tem uma vida curta. As bebidas têm uma vida curta. A bateria de um telémovel tem vida curta. Um lápis tem vida curta. Um perfume tem vida curta. Um vela tem uma vida curta. Os "Donuts Berlim" têm uma vida curta. O papel de embrulho tem uma vida curta. Um saco do lixo tem uma vida curta. Um batôm tem uma vida curta. Um verniz para as unhas tem uma vida curta. Um envelope tem uma vida curta. Os chocolates têm uma vida curta. A borboleta tem uma vida curta. As pipocas (salgadas) têm uma vida curta. As pastilhas elásticas têm uma vida curta. Os ovos têm uma vida curta. Os detergentes têm uma vida curta. O livro de matemática do secundário tem uma vida curta. As bolachas de manteiga têm uma vida curta. As massinhas com carne por dentro têm uma vida curta. O papel higiénico tem uma vida curta. Os fósforos têm um vida curta. As velas de aniversário têm uma vida curta. Uma banana na mão de um macaco tem uma vida curta. Os copos e os pratos de plástico têm uma vida curta.


Mas as estrelas, as estrelas podem viver vários bilhões de anos. Têm uma vida longa, poderosa, luminosa, são portadoras de uma forma única e singular, o seu brilho é capaz de alcançar distancias inter-galácticas e desde o nascimento até à sua fragmentação e dissipação são 500 mil as histórias que têm para contar. A Alpha Aquilae, conhecida como Altair, nome de origem árabe que significa "Aguia voando" é a estrela mais brilhante da constelação de Áquila. Tem uma magnitude aparente 0,89, magnitude absoluta 2,4. É oito vezes mais luminosa que o Sol. A sua temperatura superficial é de 8600K. Possui um movimento próprio de 0,658 segundo de arco por ano (1º em 5470 anos) e uma velocidade radial de -26km/s. A sua distância à Terra é de 16 anos-luz.
Vai fazer 77 anos, no dia 28 de Maio, que esta estrela existe. A unica singularidade é que em vez de estar pendurada no céu, está pendurada no meu coração há 24 anos e muito bem coladinha ao Planeta Terra (fui eu que a colei com "super-cola 3", não a deixo ir a lado nenhum!). Adoro observar e acarinhar o teu brilho todos os dias, faz-me sentir uma estrela também. Brilha para mim. Brilha muito para mim e ao pé de mim. 77 anos não são bilhões de anos (até posso ser péssima a matemática, mas para aquilo que me interessa, sei muito bem certas coisas..), está muito longe disso, logo, esta estrela tem muito e muito e muito para viver. E eu muito tenho para aprender com ela.


P.Sawyer*

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Elogio à dependência


Há coisas incríveis! A sério que há.. e quanto mais uma pessoa absorve informação, mais quer absorver e mais rapidamente se depara com coisas extraordinárias. Sempre nos ensinaram que é muito importante, antes de julgar alguém ou alguma situação, pormo-nos no lugar do outro e tentar entender o seu ponto de vista e os seus comportamentos. É muito bonito, mas quando nos toca a nós, a coisa complica-se. Encontrei um bom exemplo numa das minhas peregrinações da leitura (obrigado, Filipa): somos bombardeados constantemente com os malefícios dos vícios e das dependências e da forma como estes podem neutralizar a vida de uma pessoa. E já alguém tentou por-se na pele de uma destas pessoa e encontrar e encarar o lado positivo da questão? Possivelmente já. Mas aposto que nunca como Chuck Palahniuk (in "Asfixia") o fez:


"Admiro os viciados. Num mundo em que está toda a gente à espera de uma catástrofe total e aleatória ou de uma doença súbita qualquer, o viciado tem o conforto de saber aquilo que quase de certeza estará à sua espera ao virar da esquina. Adquiriu algum controlo sobre o seu destino final e o vício faz com que a causa da sua morte não seja uma completa surpresa. De certo modo, ser um viciado é uma coisa bastante proactiva. Um bom vício retira à morte a suposição. Existe mesmo uma coisa que é planear a tua fuga."


E apartir daqui, retirem as vossas própria conclusões deste elogio à dependência.


P.Sawyer*

quinta-feira, 7 de maio de 2009

"Um dos mais poderosos exercícios de crescimento..."


Com sabedoria, com sensatez, com atenção e com muita determinação é sempre possível alcançar aquilo que realmente queremos e ultrapassar os obstáculos mais poderosos. O ser humano é dotado de inteligência e capacidades mentais para isso mesmo, e eu sou daquelas que acredita que apenas é preciso trabalhá-las durante a vida para que sejam visíveis por todos. Não existem pessoas burras, existem sim pessoas preguiçosas e sem vontade de "chegar lá". Conheço uma menina que, muito pertinente em tudo aquilo q diz, achava por bem ser obrigatório em todos os trabalhos que entregamos na faculdade (recheados de regras e normas da APA que deixam qualquer uma de nós com a cabeça em água...), seguidamente ao índice, fazer uma pequena citação sobre o tema do trabalho ou deixar uma espécie de pensamento solto; com o objectivo de fazer com que a pessoa que está a ler o trabalho, perde-se alguns minutos a reflectir naquilo. Adoro pessoas com ideais fortes e vincadas e, principalmente, com ideias únicas e progressistas. Não sou muito de frases feitas, aliás, não sou nada de frases feitas. Só promovem a falta de criatividade numa pessoa e aquilo que é "lido" e não "dito genuinamente" nunca é vindo do coração... por isso não conta. É plágio! É plágio! É plágio, carambas! Mas... podemos sempre retirar algumas ideias dessas mesmas citações, só não dá é para utilizá-las integralmente, é quase como se roubassemos a sabedoria da pessoa que, com mais esforço ou menos esforço, ou com mais LSD ou menos LSD, conseguiu chegar a uma brilhante mistura de palavras que até fazem algum sentido. Se alguem quiser retirar alguma ideia em especial ou muitas em particular, deixo aqui a última citação que li, desprovida da sua importância, enquanto estava sentada na sala de espera de um hospital:



"Um dos mais poderosos exercícios de crescimento interior consiste em prestar atenção às coisas que fazemos automaticamente, como respirar, piscar os olhos ou reparar em tudo à nossa volta. Sempre que fazemos isso permitimos que o nosso cérebro trabalhe com mais liberdade, sem a interferência de nossos desejos. Dessa maneira, certos problemas que pareciam insolúveis terminam sendo resolvidos; certas dores que julgavamos insupurtaveis, acabam por dissipar-se sem esforço."




cit in "Pensamentos de Paulo Coelho", by Maria Nalú


P.Sawyer*