É sempre bom conseguir fazer uma pausa (como se em Agosto houvesse falta de tempo para isso..) para gargalhar com a mais inesperada e fascinante conversa perdida. Juntando a isso o facto de se estar em estado de fotossíntese e um pouco vegetativo, com o sol a queimar células e futuros neurónios com um potencial muito promissor, com uma água gélida (mas sempre mais que óptima para mergulhar umas 3 ou 4 vezes... quem vai para Moledo sabe do que estou a falar!) e uma bola de gelado de pistácio que sempre aguardava por mim ao final do dia. Uma das melhores conversas perdidas num dos períodos em que pareciamos franguinhos ao sol: como é triste ter-se perdido o anónimato nas chamadas telefónicas. Hoje em dia todos sabemos quem nos está a ligar, muito antes de dizermos aquele "Estou?", já lá está o número e o nome. Que triste. Que bonito que era a surpresa de ouvir a voz de alguém do outro lado, sem que estivessemos a contar. Pena daqueles que nascem agora e que nunca vão ter o previlégio de apreciar o incognito, o desconhecido e o surpreender de alguém do outro lado da linha (a não ser que utilizem os números privados e não identificados, mas nem essa cola, não é a mesma coisa, isso é bom para pessoas espertalhonas que têm medo que as suas chamadas não sejam atendidas porque simplesmente não se está para aturar esse alguém). Não havia mensagens escritas nem nada do género, ainda não tinha existido o "bum" dos telémoveis, por isso se tentassemos falar com alguém e não estivesse por casa, teriamos de deixar um recado. Outra coisa muito bonita: os recados. Revolução: vamos deitar fora os telefones de casa modernos e vamos ao sotão buscar os antiguinhos que tinham aquele barulho irritante e que se marcava os números a andar ás voltinhas com os dedos. Eram grandes, pouco estéticos, barulhentos em demasia, mas eram os genuínos.
P.Sawyer*







